Câncer de Rim em Santo André: Diagnóstico Precoce e Cirurgia que Preserva o Órgão
A maior parte dos tumores renais é descoberta por acaso — em um ultrassom de rotina, em uma tomografia pedida por dor abdominal ou em um check-up. Essa mudança no padrão de diagnóstico transformou a doença: hoje boa parte dos casos é identificada ainda pequena e assintomática, quando o tratamento pode ser feito retirando apenas o tumor e preservando o rim. As estimativas do INCA para 2026–2028 apontam entre 6,5 e 7 mil novos casos por ano em homens no Brasil.
O Dr. Ricardo H. De Rizzo (CRM 193042-SP | RQE 135640), urologista e andrologista, conduz a investigação de nódulos e massas renais — do enquadramento correto da lesão até a definição da estratégia de tratamento, com prioridade para a preservação da função renal.
Achei um "nódulo no rim" no exame. E agora?
Nem toda lesão renal é câncer. O primeiro passo é caracterizar o que foi encontrado:
- Cisto simples: extremamente comum, benigno, não exige tratamento nem acompanhamento
- Cistos complexos: classificados pela escala de Bosniak (I a IV), que estima o risco de malignidade e define entre observar e operar
- Angiomiolipoma: tumor benigno de gordura e vasos; a conduta depende do tamanho e do risco de sangramento
- Oncocitoma: tumor benigno que pode ser indistinguível do câncer nas imagens
- Carcinoma de células renais: o câncer renal propriamente dito, sendo o subtipo de células claras o mais frequente (cerca de 70% a 75%), seguido pelo papilífero e pelo cromófobo
Fatores de risco
- Tabagismo
- Obesidade
- Hipertensão arterial
- Doença renal crônica, especialmente em pacientes em diálise há muitos anos
- Exposições ocupacionais (tricloroetileno, cádmio)
- Síndromes hereditárias — von Hippel-Lindau, Birt-Hogg-Dubé e esclerose tuberosa —, que devem ser investigadas em pacientes jovens, com tumores bilaterais ou com história familiar
Sintomas: quando aparecem, o tumor já cresceu
A tríade clássica descrita nos livros — dor lombar, sangue na urina e massa palpável — ocorre hoje em menos de 10% dos casos e indica doença avançada. Sinais que merecem investigação:
- Hematúria (sangue na urina), mesmo que apareça uma única vez e desapareça
- Dor lombar persistente e localizada, sem relação com movimento
- Varicocele de aparecimento súbito, sobretudo à direita, ou que não desaparece quando o paciente se deita
- Perda de peso, febre sem causa, anemia ou cansaço importante
- Síndromes paraneoplásicas: hipercalcemia, alterações hepáticas sem doença do fígado, hipertensão de início recente
Como é feito o diagnóstico
- Tomografia de abdome com contraste (protocolo renal): exame central. Mostra tamanho, localização, relação com vasos e via urinária, e o padrão de captação de contraste que caracteriza a lesão
- Ressonância magnética: alternativa para pacientes com alergia ao contraste iodado ou função renal reduzida, e útil na avaliação de cistos complexos e de trombos venosos
- Tomografia de tórax: para estadiamento
- Exames laboratoriais: função renal, hemograma, cálcio e provas hepáticas
- Biópsia renal percutânea: não é rotina, mas é indicada quando o resultado pode mudar a conduta — lesões indeterminadas, candidatos a ablação ou vigilância, suspeita de linfoma ou de metástase de outro tumor
Um ponto importante: não existe exame de sangue que rastreie câncer de rim. Por isso a atenção a achados de imagem é decisiva.
Opções de tratamento
- Vigilância ativa: para massas muito pequenas, sobretudo em pacientes idosos ou com comorbidades relevantes. Muitos desses tumores crescem lentamente, e o acompanhamento por imagem evita uma cirurgia desnecessária.
- Nefrectomia parcial: é o padrão de tratamento para tumores localizados de até 7 cm. Retira-se apenas o tumor com margem de segurança, preservando o restante do rim. O controle oncológico é equivalente ao da retirada total, com uma vantagem importante: menos risco de doença renal crônica, hipertensão e eventos cardiovasculares no longo prazo. Pode ser realizada por via robótica ou laparoscópica, com internação curta.
- Nefrectomia radical: indicada para tumores grandes, centrais, com invasão local ou trombo tumoral em veia renal ou cava, quando a preservação não é tecnicamente segura.
- Ablação térmica (radiofrequência ou crioablação): alternativa percutânea para tumores pequenos, em pacientes com risco cirúrgico elevado.
- Doença avançada ou metastática: o cenário mudou nos últimos anos com a imunoterapia e as terapias-alvo, isoladas ou combinadas. Em casos selecionados ainda cabem a nefrectomia citorredutora e a retirada de metástases isoladas, sempre em decisão conjunta com a oncologia.
Depois do tratamento
O seguimento é feito com exames de imagem e avaliação da função renal em intervalos definidos pelo estágio e pelo subtipo do tumor. Para quem ficou com um rim, ou parte dele, o cuidado passa a incluir controle rigoroso de pressão arterial e de glicemia, hidratação adequada, cautela com anti-inflamatórios e monitoramento periódico da creatinina.
Dúvidas frequentes
Encontrou um nódulo no rim em um exame?
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