Hiperplasia Prostática Benigna em Santo André: Tratamentos Modernos para a Próstata Aumentada
Levantar duas, três vezes por noite para urinar. Jato fraco, demora para começar, sensação de bexiga que nunca esvazia por completo. Esses sintomas não são "coisa da idade" — são a manifestação da hiperplasia prostática benigna (HPB), o crescimento não canceroso da próstata que já está presente em cerca de metade dos homens entre 51 e 60 anos e em mais de 80% acima dos 80. A boa notícia é que hoje existe um leque de tratamentos que vai muito além do "remédio para o resto da vida" ou da cirurgia tradicional.
O Dr. Ricardo H. De Rizzo (CRM 193042-SP | RQE 135640), urologista e andrologista, avalia o grau real de obstrução, o volume da próstata e — ponto frequentemente esquecido — o impacto de cada tratamento sobre a função sexual e ejaculatória, para definir com o paciente a conduta que faz sentido para sua fase de vida.
O que é a HPB (e o que ela não é)
A próstata é uma glândula que envolve a uretra logo abaixo da bexiga. A partir dos 40 anos, sob influência hormonal, sua região central (zona de transição) cresce e comprime o canal urinário — como um anel que aperta uma mangueira. A bexiga precisa fazer mais força para vencer a resistência e, com o tempo, sua parede engrossa e perde eficiência.
HPB não é câncer e não se transforma em câncer. São doenças diferentes, que inclusive nascem em regiões distintas da próstata — mas podem coexistir no mesmo homem, o que torna a avaliação urológica necessária mesmo diante de sintomas típicos de HPB.
Sintomas urinários
De esvaziamento: jato fraco ou fino, demora para iniciar, jato interrompido, necessidade de fazer força, gotejamento no final e sensação de esvaziamento incompleto.
De armazenamento: urgência (vontade súbita e difícil de segurar), aumento da frequência, noctúria (acordar para urinar) e, em casos mais avançados, perda de urina antes de chegar ao banheiro.
A noctúria é o sintoma que mais compromete a qualidade de vida: fragmenta o sono, gera cansaço diurno e aumenta o risco de quedas em idosos.
O que pode acontecer se não tratar
A HPB é uma doença progressiva. Quando a obstrução se mantém, podem surgir:
- Retenção urinária aguda — impossibilidade súbita de urinar, com necessidade de sondagem de urgência
- Infecções urinárias de repetição
- Cálculos na bexiga e hematúria (sangue na urina)
- Divertículos vesicais e bexiga que perde a capacidade de contrair
- Dilatação dos rins e perda de função renal, nos casos mais avançados
Como é feita a avaliação
- IPSS: questionário validado que quantifica os sintomas (leve: 0 a 7; moderado: 8 a 19; grave: 20 a 35) e permite medir objetivamente a resposta ao tratamento
- Exame físico com toque retal: avalia tamanho, consistência e nódulos suspeitos
- PSA e exame de urina
- Ultrassom com medida do resíduo pós-miccional: informa o volume prostático — dado decisivo na escolha da técnica — e quanto de urina fica retida após urinar
- Urofluxometria: mede a velocidade do jato
- Estudo urodinâmico e cistoscopia: em casos selecionados, quando é preciso diferenciar obstrução de bexiga hipoativa ou planejar a cirurgia
- Ressonância magnética: quando há suspeita de câncer associada
Tratamento clínico
- Medidas comportamentais: reduzir líquidos, cafeína e álcool à noite, revisar horários de diuréticos e treinar o esvaziamento completo. Em sintomas leves, podem bastar.
- Alfabloqueadores (tansulosina, silodosina, alfuzosina, doxazosina): relaxam a musculatura da próstata e do colo vesical, com alívio em poucos dias. Efeitos possíveis: tontura, queda de pressão e alteração da ejaculação.
- Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida): reduzem o volume prostático em torno de 20% a 25% ao longo de 6 a 12 meses e diminuem o risco de retenção urinária e de cirurgia. Indicados para próstatas maiores; reduzem o PSA pela metade, o que precisa ser considerado na interpretação do exame.
- Tadalafila 5 mg diária: opção interessante para quem tem HPB e disfunção erétil ao mesmo tempo, tratando as duas condições com um só medicamento.
- Antimuscarínicos ou mirabegrona: associados quando os sintomas de urgência e frequência predominam.
- Terapia combinada: alfabloqueador com inibidor de 5-alfa-redutase, para próstatas volumosas com sintomas moderados a graves.
Rezum — termoterapia por vapor de água
O Rezum é um tratamento minimamente invasivo feito por via endoscópica, sem cortes. Uma agulha aplica jatos de vapor de água dentro do tecido prostático: a energia térmica liberada destrói de forma controlada as células do adenoma, que são reabsorvidas pelo organismo ao longo das semanas seguintes.
- Cada aplicação dura poucos segundos; o procedimento inteiro é rápido e pode ser realizado em regime ambulatorial, com anestesia local e sedação
- Uso temporário de sonda por alguns dias
- Melhora progressiva dos sintomas, com efeito pleno em cerca de 2 a 3 meses
- Preservação da função ejaculatória em cerca de 90% dos pacientes — o principal diferencial em relação às cirurgias tradicionais
- Resultados sustentados em estudos com acompanhamento de 5 anos, com baixa taxa de necessidade de retratamento
- Perfil ideal: próstatas de volume pequeno a moderado, em homens que querem sair da medicação contínua e valorizam a preservação da ejaculação
HoLEP — enucleação da próstata com laser de hólmio
O HoLEP é a evolução da cirurgia clássica de próstata. Também é feito pelo canal da uretra, sem nenhum corte externo, mas em vez de "raspar" o tecido em fatias, como na ressecção transuretral, o laser descola e remove todo o adenoma do seu leito — o mesmo resultado de uma cirurgia aberta, por via endoscópica.
- Independe do tamanho da próstata: trata desde glândulas médias até próstatas de 200 g ou mais, que antes exigiriam cirurgia aberta
- Reconhecido pelas diretrizes americana (AUA) e europeia (EAU) com nível 1 de evidência, e considerado referência para próstatas grandes
- O laser coagula enquanto corta: menos sangramento e menor necessidade de transfusão
- Sonda por cerca de 24 horas e internação curta, em geral de 1 a 2 dias
- Como todo o tecido é retirado, ele é enviado para exame anatomopatológico, o que pode revelar um câncer incidental
- Taxa muito baixa de necessidade de nova cirurgia a longo prazo — é o tratamento com maior caráter definitivo
Outras opções cirúrgicas
- RTU-P (ressecção transuretral): técnica consagrada, boa opção para próstatas de até cerca de 80 g
- Fotovaporização (GreenLight): vaporiza o tecido, com sangramento reduzido
- Urolift e iTind: implantes ou dispositivos que afastam mecanicamente o tecido, preservando a ejaculação
- Embolização das artérias prostáticas: realizada por radiologia intervencionista, em casos selecionados
- Prostatectomia simples aberta ou robótica: reservada a próstatas muito volumosas quando a enucleação a laser não está disponível
Ejaculação e função sexual: o que muda em cada técnica
Uma informação que precisa ser dita antes da escolha: as técnicas que removem tecido pela uretra (RTU, HoLEP, GreenLight) provocam ejaculação retrógrada na maioria dos homens — o sêmen passa a ir para a bexiga em vez de sair pelo canal. Isso não afeta a ereção, o orgasmo ou a sensibilidade, mas afeta a fertilidade e incomoda parte dos pacientes. Já o Rezum e o Urolift preservam a ejaculação na grande maioria dos casos, com alívio dos sintomas em geral menos intenso que o das cirurgias. Não existe uma opção melhor no absoluto — existe a que se encaixa nos seus objetivos.
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